“Com amor, mamãe” é o livro de estreia da autora Iliana Xander. A exemplo dos thrillers psicológicos que escreve, sua biografia é envolta numa aura de mistério. Pouco se sabe além de escrever desde a adolescência; ter publicado mais de vinte livros de diversos gêneros literários sob diferentes pseudônimos; ter conquistado uma legião de fãs na internet; se aventurar nas artes; e adorar viajar.
A narrativa de “Com amor, mamãe” começa com um funeral midiático, a morte trágica e supostamente acidental, de uma autora de thrillers psicológicos, mundialmente conhecida, Elizabeth Casper ou como é conhecida, E. V. RENGE. O livro tem uma estrutura peculiar: é dividido em três partes além do prólogo e epílogo. São 66 capítulos curtos mais sete cartas também curtinhas extraídas do diário de Lizzy Dunn. A PARTE 1 é totalmente narrada por Mackenzie, sendo que o primeiro capítulo foi narrado pelo ponto de vista de Mackenzie; a PARTE 2 – VINTE E UM ANOS ATRÁS tem todos os capítulos narrados ora sob o ponto de vista de Bem Casper, ora sob o ponto de vista de Tonya Shaffer; e a PARTE 3 – é totalmente narrada por Mackenzie, sendo que o primeiro capítulo foi narrado pelo ponto de vista de Mackenzie e o último pelo de Dianne.
E. V. RENGE MORRE DE FORMA TRÁGICA NO AUGE DA CARREIRA. ACIDENTE OU…
Mackenzie Casper é a única filha de Elizabeth e Ben Casper. Apesar de ser uma aluna exemplar, é mais reconhecida por ser filha da escritora de thrillers perturbadores que ficou mundialmente famosa sob o pseudônimo E. V. Renge do que por seu brilhante desempenho acadêmico. A relação entre mãe e filha nunca foi lá grandes coisas, mas, agora aos 21 anos e desde que se mudou por causa da universidade, Mackenzie não precisa mais manter as aparências nem ouvir as brigas dos pais o tempo todo.
Porém a morte prematura de Elizabeth aos 43 anos ao sofrer uma queda durante a corrida matinal que fazia diariamente sacode o mundo literário. Inevitavelmente milhares de fãs, jornalistas e a própria filha se perguntam: será que foi mesmo um acidente?
Durante o funeral Mackenzie observa que apesar da comoção nenhum dos inúmeros convidados derrama uma única lágrima. Nem ela própria. O mundo de E. V. Renge, Laima Roth, a agente literária e o editor-chefe; o fotógrafo contratado pela editora; o terapeuta; suas três assistentes; o advogado da família; o viúvo alcóolatra e os sogros impecável e ostensivamente vestidos; todos parecem estar mais preparados para um grande espetáculo do que para uma cerimônia fúnebre. Inclusive, Mackenzie vê o pai discutindo com um homem que ela nunca viu antes e que não faz parte daqueles que frequentam o mundo de E. V. Renge. Hum… estranho! Neste mesmo dia, à noite, a família receberá “os mais chegados” numa festa com bufê para uma “celebração da vida”. É demais para Mackenzie! Então ela decide voltar para casa e ter tempo de “respirar” antes do tal bufê. Ao chegar ao carro recebe um telefonema do seu melhor amigo EJ que também vai ao “evento”. Ainda ao celular, ao abrir a porta do carro Mackenzie percebe que há um envelope no banco do motorista. Mas como é possível se a porta estava trancada? Com o coração acelerado Mackenzie lê as poucas palavras escritas no envelope.
De alguém que te admira muito. Bjs!
Num primeiro momento Mackenzie fica completamente atônita, pois a morte acidental de sua mãe afetou profundamente os fãs, os stalkers e afins. O que poderia conter aquele envelope? Então ela decide abrir o envelope e vê três páginas aparentemente arrancadas de um caderno e escritas à mão. Na primeira página, a exemplo do envelope, havia poucas palavras.
Quer saber um segredo?
Com amor, mamãe.
Mackenzie não era próxima da mãe e essa carta inesperada pode ser uma oportunidade de conhecer o passado de Lizzy Dunn, Elizabeth Dunn, o nome de solteira de sua mãe antes de se tornar a Sra. Elizabeth Casper. E se for um embuste? A única forma de descobrir é comparar a letra das páginas que recebeu anonimamente com a letra da primeira página do manuscrito original de Mentiras, mentiras e vingança, guardado a sete chaves, o primeiro romance de E. V Renge, best-seller aplaudido internacionalmente que além de lançar a escritora ao mundo literário, transformou-a em milionária da noite para o dia. Contudo o manuscrito é guardado a sete chaves no escritório da escritora e somente ela tinha a chave, ou melhor, isso era o que Elizabeth pensava porque Ben tinha uma cópia e Mackenzie sabia onde o pai a escondia. Bingo!!! A caligrafia é idêntica. Mas será que aquela carta é mesmo de sua mãe? Por que aquela última frase enigmática?
Esse segredo agora é seu.
Mais outros seis envelopes chegam de forma muito misteriosa e todas as cartas terminam com frases enigmáticas ou confidências estarrecedoras. O conteúdo do diário – revelações sobre o passado dos pais; comentários estranhos e agressivos; possíveis acontecimentos graves – gera perguntas – o que aconteceu no orfanato onde Lizzy Dunn cresceu?; o que aconteceu em Old Bow, Nebraska?; quem é Tonya Shaffer?; quem é John? – e inúmeras dúvidas começam a rondar a mente de Mackenzie: quem teria acesso a relatos tão íntimos? E, se sua morte foi mesmo um acidente, por que ela estaria recebendo essas cartas justo agora? Mackenzie e EJ, seu melhor amigo, um programador talentoso, tornam-se inseparáveis e partem em busca de respostas. Pétala, como Lizzy Dunn se referia à filha quando ainda estava grávida, logo vai descobrir que o caminho da mãe rumo ao estrelato está marcado por impiedosas mentiras, traição e uma trama assustadora permeada de reviravoltas.
Pétala, sua avó é uma megera.
No início tem-se a impressão que a leitura será arrastada porque a jovem Mackenzie parece ser uma herdeira rebelde sem causa. Porém, logo nos primeiros capítulos, quando Mackenzie começa simultaneamente a expor seus sentimentos ou a falta deles; começa a ler as páginas do diário supostamente escrito por sua mãe; se descobre “deserdada” sem pieguice e sem queixas; e parte para a ação junto com seu melhor amigo EJ; a narrativa ganha uma cadência viciante. Todos os personagens têm o lugar justificado na história e apesar das inúmeras reviravoltas nenhuma ponta fica solta. Eu me arrisco a dizer que o fim do livro tem um plot twist fantástico. A estrutura do livro dita o excelente ritmo e facilita o entendimento da história. É impossível parar de ler! Eu recomendo muitíssimo a leitura.